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7.10.03

Mudança 

A "reconstrução" do Alfacinha na nova morada está concluída.

Agradeço a todos os que queiram ler ou "linkar" o Alfacinha que o façam no ----> novo endereço.

Este é portanto o último post (chuiff...) aqui no blogger.

6.10.03

Europa, a Dúvida 

Se para mim é fácil decidir sobre a questão da realização ou não do referendo, já não se me afigura como tarefa simples o sentido de voto em si. De todas as questões em causa, há uma em particular que me suscita bastantes dúvidas. Refiro-me aos comissários de primeira e de segunda.

Se tivesse que pensar em abstracto tenderia a concordar com a lógica simples que determina uma proporcionalidade entre a representação dos estados e a própria dimensão destes, de acordo com critérios de número de habitantes, dimensão do território ou outros. Imaginemos por um instante que a “nossa” Madeira se tornava independente. Que sentido faria o poder de decisão de uns poucos milhares de habitantes, ter o mesmo peso que países como a Espanha, ou a Holanda?

O problema é que a questão, além de não ser colocada em abstracto, Portugal é um dos “países pequenos”, não pode ser desligada do comportamento concreto que os “países grandes” (Alemanha, França, Inglaterra) têm tido, em particular nas últimas semanas. Todos os sinais apontam no sentido da efectivação do directório. Para além das cimeiras particulares, do próprio processo de criação do texto constitucional, surge agora uma repugnante chantagem sugerindo um eventual condicionamento dos fundos à aprovação do texto. Reconheço todavia que esta perspectiva é muito influenciada pela minha condição de “cidadão de país pequeno”. Quero dizer, emocional.

Talvez a (minha) decisão possa passar por tentar perceber que Europa gostaria de ter. Se a resposta for “Europa-comunitária-regida-por-tratados-internacionais”, então continuará a fazer todo o sentido o igualitarismo de comissários. Se por outro lado pensar que, mais tarde ou mais cedo, avançaremos para uma fusão dos estados (não uma federação), então talvez a melhor solução seja mesmo a representatividade proporcional. Nesta nova equação há uma possível reconciliação entre a emoção e a lógica, já que prefiro a primeira alternativa, não por qualquer raciocínio fundamentado mas pura e simplesmente por intuição.

Europa, o Referendo 

Por paradoxal que possa parecer penso que a própria essência da democracia representativa exige a realização do referendo sobre a nova Europa. A nossa assembleia, e provavelmente qualquer uma das restantes, não foi mandatada para decidir sobre o próprio sistema de poder em vigor, sobre o que é de competência nacional e aquilo que é supra-nacional. Não está em causa o clássico impedimento constitucional que não permite referendos à própria constituição, está em causa o âmbito da constituição, ela mesma. Como se voltássemos ao tempo da Assembleia Constituinte.

5.10.03

Nem de propósito 

Estando aqui entretido com templates, arquivos e mudanças de morada, dou com este aviso. É realmente uma tristeza, como diz a Rita, o blog dela era uma pequena pérola, movido a sentimentos, muito para além do nome que assinava (ou da família da dita). Leitor que era, andava para o referir há uns tempos. Agora, já não vale a pena...

Blog Notas 

O Alfacinha, seguindo uma tendência de outros, e beneficiando da simpatia do Paulo, está em mudança de instalações. A nova residência está quase pronta, as paredes já estão pintadas (de verde, claro...), e agora só falta mudar para lá o arquivo. Por enquanto continuamos aqui.

Entretanto, ao exportar os arquivos, dei por mim a fazer uma estatistica lateral. Verifico que, nestes 2 meses e 10 dias de blog (ou seja 70 dias):

- Criei 167 entradas, o que dá uma média de 2,4 por dia.
- Escrevi cerca de 30000 palavras o que dá uma média de 428 por dia, e 179 por entrada.
- Coloquei 314 links o que dá uma média de 1,8 por entrada.

Se isto quer dizer alguma coisa, ou não, não faço a menor ideia, mas achei graça aos números.

Balanço 

Ao fim de uma semana da nova TSF tento fazer um balanço. Se este for feito através de uma análise fria e racional, a conclusão possível é que muito pouco mudou. Se não vejamos:

- O essencial da estação continuam a ser os blocos noticiosos de meia em meia hora. Não contei os minutos, mas também não me parece que exista um limitador aos 4 ou aos 6, como se ameaçava. O conteúdo e estilo também não sofreram alterações perceptíveis.
- O fim de alguns espaços (Flashback, Freud e Maquiavel, Grande Júri) foi compensado com novos programas, também de "personalidades" (Margarida Marante, Carlos Pinto Coelho).
- Houve dança das cadeiras nos comentadores, e responsáveis pelos apontamentos humorísticos, como é natural em qualquer nova grelha.
- Não sendo a minha especialidade, não me consta que tenha havido qualquer alteração nos conteúdos desportivos. Não se confirmou a inexistência de directos.

Mas, apesar desta tentativa de análise racional, apesar da continuidade dos Sinais (e sobretudo da presença do seu autor, Fernando Alves), apesar da continuidade do P&T, não consigo deixar de sentir que algo se perdeu. Não sei se é (a minha) resistência à mudança, mas quando hoje ouvia o novo programa de Carlos P. Coelho, não pude evitar a nostalgia das conversas Magno/Amaral Dias e sobretudo Andrade/Magalhães/P. Pereira. Compare-se o estilo de um Carlos Andrade com o de CPC. Onde CA pergunta e argumenta, CPC sugere e ri-se. Nem acho, nunca achei, que a questão se coloque ao nível da ideologia subjacente a qualquer linha editorial da estação. Essa aliás mantem-se. É sintomático que a participação de Francisco Amaral continue nos pequenos (e quanto a mim ensonsos) apontamentos, que encaixariam perfeitamente em qualquer rádio mainstream, e simultaneamente tenha chegado ao fim o acolhimento de um dos últimos (bons) programas de autor, nada, mas mesmo nada, mainstream.

3.10.03

Jardins da Memória 

Não há melhor contraponto para a histeria sobre a filha do ministro, que a recordação e partilha de memórias afectivas sobre essa pérola que são os Jardins da Virginia Astley. Vem isto a propósito de uma troca de mimos entre vários ilustres (Homem a Dias, Retorta, Aviz, Terras do Nunca), envolvendo as ditas memórias. Como eu os entendo… E daqui vai uma prenda  para o Francisco, com um pedido de desculpas ao Alberto.


O referido objecto musical, desde sempre conhecido pela sua beleza e raridade (pelo menos em terras Lusitanas), fez-me percorrer, ao longo dos anos 80 as prateleiras do vinil. Só tardiamente a busca foi recompensada. Depois, tive que a reiniciar por via da renovação da colecção para o formato CD. Mais uma vez, difícil tarefa. Um dia, inusitadamente, lá encontrei esta edição. Não é a Japonesa, mas tem um bónus que é Melt the Snow , originalmente editado em 86.


Compreendo o Mário Pires, no seu lamento sobre a inexistência em CD do Hope in a Darkened Heart. O único consolo é que a minha edição em vinil não é de prensagem nacional. De prensagem nacional (saudosa Fundação Atlântica) tenho sim uma magnifica compilação dos Young Marble Giants, chama-se Nipped in The Bud e tem bónus preciosos de mais um dos grupos de boa memória: The Gist. E tem razão o jmf, isto anda tudo ligado. Pelo menos na memória afectiva.


ainda falando em memórias, outra boa foi esse concerto no São Luiz...

1.10.03

Muito menos Bruto 

Mas muito mais lúcido e argumentativo, Jorge Miranda, na mesma edição do Público, mostra a PAS (ver post anterior) o que pode verdadeiramente mudar. Transcrevo aqui um pequeno excerto, já que o link da edição online é efémero:

"A afirmação do primado do Direito da União em face do Direito dos Estados membros (art. I10º), se entendida de modo a abarcar também as Constituições nacionais, põe em causa, primeiro, os princípios da soberania constituinte dos Estados membros. E depois, afronta a legitimidade democrática (por as Constituições serem todas expressão de vontade popular, manifestada em assembleia constituinte ou em referendo, e na feitura do Direito da União prevalecerem (apesar da intervenção do Parlamento Europeu) típicos órgãos de poder executivo - o Conselho de Ministros e a Comissão - ao arrepio ainda do princípio da separação de poderes."

Menos Bruto 

"Se nada verdadeiramente mudar, não vale a pena o referendo", disse ao Público Pedro Adão e Silva, do Secretariado Nacional do PS. Alguém com este nível de responsabilidade, e supõe-se, informação, devia reflectir bem antes de produzir semelhantes declarações. O grave é que PAS talvez tenha reflectido.

30.9.03

Bruto 

Estou-me borrifando para o destino de todos os arguidos do processo Casa Pia e toda a cadeia de comando da Protecção Civil e Bombeiros. Todos juntos, não serão mais que 20 ou 30.

Em contrapartida estou preocupado com o destino de 10 milhões de Portugueses (incluindo os já referidos), que podem acordar um dia destes numa Europa não desejada.

A malta gosta muito de criticar os partidos, os politicos. Mas é curioso, e contraditório com essa critica, o (baixo) nível de participação nos actos referendários do passado. Vale a pena exigir um referendo? Eu penso que sim, tenho a certeza que vou votar, mas não ponho as mãos no fogo pelos meus compatriotas. Já os ouço, às segundas-feiras dizendo mal dos politicos porque abusam do poder, e às terças invectivando-os, porque ao decidirem referendar estão a furtar-se ao dever...

Encontro 

Mais tarde ou mais cedo, se não agora, num qualquer reality show no futuro, o encontro entre o espectáculo e a morte terá de se dar. Paradoxo cruel.

Loja do Cidadão 

Do desgraçado legado da era de Guterres, ficou como muito positivo, o lançamento das Lojas do Cidadão. Sendo fã desde o início tenho pena que, depois do entusiasmo inicial, não só a rede não se tenha alargado tanto quanto seria de esperar, mas sobretudo que não esteja à vista a concretização do passo seguinte. Este seria a prestação de serviços ao cidadão de forma efectivamente centralizada, em que, para além da proximidade física, fossem criados gabinetes inter-ministeriais.

Um bom exemplo neste domínio são os Centros de Formalidades das Empresas, os quais, à semelhança das LC, permitem aos empresários, tratar de assuntos das empresas num mesmo local. Mas aí, foi dado um passo revolucionário, no que toca à filosofia habitual de atendimento ao público na administração pública. Foi criada, dentro dos CFE, uma área central de recepção do empresário, que não só funciona como recepção para os diferentes serviços (Finanças, Segurança Social, Conservatória, etc), como acompanha o utente em todo o processo, esclarecendo dúvidas, preenchendo formulários e coordenando o atendimento em cada um dos serviços. Nem parece que estamos em Portugal, tal a boa vontade e espírito de verdadeira colaboração que existe. Esta foi pelo menos a minha experiência há uns anos em Lisboa.

Infelizmente as Lojas do Cidadão têm sido noticia apenas pelas repetidas greves, sintoma claro do abandono a que o projecto tem sido dedicado. Se tal se deve ao facto da ideia não ser deste governo, é de lamentar a tacanhez de tal atitude. Esperemos que não, e que as LC apanhem o comboio da desejada reforma.

TAP 

Depois de ter chegado a uma situação insustentável, numa época em que tal não se justificava, a TAP, deixou de ser notícia desde que entrou em rota de recuperação. Por boas razões. Os trabalhadores e Fernando Pinto, merecem o reconhecimento do País, pelo bom exemplo que têm dado, desde há 3 anos a esta parte, e numa conjuntura cada vez mais desfavorável, colocando os interesses da empresa à frente dos seus próprios privilégios. Recusando a cedência à facilidade que seria a modificação dos objectivos neste ano tão difícil, e apesar da "ajuda" envenenada de Cardoso e Cunha, Fernando Pinto fez-se excepção, em terra de mediocridade. Os resultados estão à vista, e deviam fazer pensar todos os que enchem a boca com a questão do deficit.

28.9.03

Apagão do Positivismo 

“Mas deve ser de mim, que soçobro sentimentalmente à ideia positivista do progresso, mesmo apesar das minhas resistências filosóficas.”

Aproprio-me, com despudor, desta frase (magnífica) para lhe acrescentar uma terceira dimensão, o choque da realidade, que brutalmente amplifica a dúvida filosófico-existencial. Para além da ressonância emocional, e da questão intelectual, esta vaga de “apagões”, provoca em mim uma insegurança básica sobre os próprios fundamentos da sociedade do conforto e bem-estar. Preocupa-me pouco a eventual identificação ideológica das falhas, e muito mais a possibilidade que estas possam ser, na sua desmultiplicação em velocidade de cruzeiro, apenas um sintoma de um colapso mais globalizado. Um cenário alternativo ao final do Planeta dos Macacos, no qual a civilização não teria soçobrado vítima de uma grande explosão em formato de fogo-de-artifício violento e tecnológico. O “gran finale”, o apocalipse, teria sido afinal uma implosão em larga escala. Como se alguém tivesse desligado a ficha.

Say Hello Wave Goodbye 

quem se vá.
quem não volte.
quem regresse.
quem continue.
quem veja, olhando.
quem sinta, fazendo.

Como sempre, não interessa o que se faz, importa como e porquê se faz.

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